<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33921619</id><updated>2011-04-21T22:24:19.683-03:00</updated><title type='text'>Alvilendo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alvilendo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33921619/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvilendo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_Y5BY3KoPouw/SULioeLmraI/AAAAAAAAAA8/-1M_NYcTh2U/S220/02+-+Fevereiro+-+Uni%C3%A3o.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33921619.post-115781699159502715</id><published>2006-09-09T12:40:00.000-03:00</published><updated>2006-09-13T06:39:38.240-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/554/3618/1600/Zumbi%20Rio.jpg"&gt;&lt;/a&gt;ANGOLA LITERÁRIA 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/554/3618/1600/Vendedor%20de%20passados.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/554/3618/320/Vendedor%20de%20passados.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da leitura do Lobo Antunes, durante a FLIP de 2004 ouvi uma palestra de um escritor angolano chamado José Eduardo Agualusa. &lt;em&gt;O Vendedor de Passados&lt;/em&gt;, publicado em 2004, foi o primeiro que li. Com um texto bastante poético, Agualusa escolhe um narrador inaudito, uma lagartixa, ou osga, como dizem os portugueses. A história também é bastante criativa: para satirizar o completo abandono de ideais que marcou o processo de redemocratização de Angola e a consequente tentativa de esquecer o difícil passado da guerra e da tortura, Agualusa inventa o albino Félix Ventura, um vendedor de passados elegantes e distintos para aqueles que podem pagar. Aos poucos o passado irrompe no presente como um pesadelo indesejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho:&lt;br /&gt;"- Félix Ventura. Assegure a seus filhos um passado melhor. - Riu-se. Um riso triste, mas simpático: - É o senhor, presumo? Um amigo deu-me este cartão.&lt;br /&gt;  Não consegui pelo sotaque adivinhar-lhe a origem. O homem falava docemente, com uma soma de pronúncias diversas, uma subtil aspereza eslava, temperada pelo suave mel do português do Brasil. Félix Ventura recuou:&lt;br /&gt; - Quem é você?&lt;br /&gt; O estrangeiro fechou a porta. Passeou pela sala, as mãos cruzadas atrás das costas, detendo-se um largo momento em frente ao belo retrato a óleo de Frederick Douglass. Finalmente sentou-se numa das poltronas e com um gesto elegante convidou o albino a fazer o mesmo. Parecia ser ele o dono da casa. Amigos comuns, disse, e a voz fez-se ainda mais suave, tinham-lhe indicado aquele endereço. Haviam-lhe falado num homem que traficava memórias, que vendia o passado, secretamente, como outros contrabandeiam cocaína. Félix olhou-o desconfiado. Tudo no estranho o irritava - os modos doces e ao mesmo tempo autoritários, o discurso irônico, o bigode arcaico. Sentou-se num majestoso cadeirão de verga, no extremo oposto da sala, como se receasse ser contagiado pela delicadeza do outro.&lt;br /&gt; - Posso saber quem é você?&lt;br /&gt; Também desta vez não obteve resposta. O estrangeiro pediu licença para fumar. Tirou do bolso do casaco uma cigarreira de prata, abriu-a, e enrolou um cigarro. Os seus olhos saltitavam de um lado para o outro, numa atenção distraída, como uma galinha ciscando entre a poeira. Deixou que o fumo se espalhasse e o cobrisse. Sorriu num inesperado fulgor:&lt;br /&gt; - Mas diga-me, meu caro, quem são os seus clientes?&lt;br /&gt; Félix Ventura rendeu-se. Procurava-os, explicou, toda uma classe, a nova burguesia. Eram empresários, ministros, fazendeiros, camanguistas, generais, gente, enfim, com o futuro assegurado. Falta a essas pessoas um bom passado, ancestrais ilustres, pergaminhos. Resumindo: um nome que ressoe a nobreza e a cultura. Ele vende-lhes um passado novo em folha. Traça-lhes a árvore genealógica. Dá-lhes as fotografias dos avôs e bisavôs, cavalheiros de fina estampa, senhoras do tempo antigo. Os empresários, os ministros, gostariam de ter como tias aquelas senhoras, prosseguiu, apontando os retratos nas paredes - velhas donas de panos, legítimas bessanganas - , gostariam de ter um avô com o porte ilustre de um Machado de Assis, de um Cruz e Souza, de um Alexandre Dumas, e ele vende-lhes esse sonho singelo."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33921619-115781699159502715?l=alvilendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alvilendo.blogspot.com/feeds/115781699159502715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33921619&amp;postID=115781699159502715' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33921619/posts/default/115781699159502715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33921619/posts/default/115781699159502715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvilendo.blogspot.com/2006/09/angola-literria-2-depois-da-leitura-do.html' title=''/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_Y5BY3KoPouw/SULioeLmraI/AAAAAAAAAA8/-1M_NYcTh2U/S220/02+-+Fevereiro+-+Uni%C3%A3o.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33921619.post-115749855257334103</id><published>2006-09-05T19:35:00.000-03:00</published><updated>2006-09-06T08:07:05.220-03:00</updated><title type='text'>Angola literária</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/554/3618/1600/angola%20bandeira.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 416px; CURSOR: hand; HEIGHT: 238px" height="213" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/554/3618/320/angola%20bandeira.png" width="436" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sem nenhum planejamento prévio, acabei por ler cinco obras de ficção em torno da história recente de Angola, indo desde a época da luta anti-colonial, iniciada em 1961, até o processo de paz concluído na década de 90. O primeiro que li foi &lt;em&gt;Os Cus de Judas&lt;/em&gt;, do português António Lobo Antunes, publicado em 1979, apenas quatro anos após a independência. O autor era médico psiquiatra e foi convocado para servir na guerra pelo exército português. É um livro de construção belíssima, com imagens inesperadas, um lirismo opressivo que põe a nu toda a falta de sentido da guerra, mas sobretudo daquela. O narrador é um oficial médico já retornado a Lisboa que conta suas memórias da guerra a uma mulher com quem está jantando. A relativa frivolidade da corte que ele faz à mulher enquanto ambos se embebedam proporciona um ácido contraste às desgraças da guerra. Um trecho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Gago Coutinho, a trezentos quilómetros ao sul do Luso e junto à fronteira com a Zâmbia, era um mamilo de terra poeirenta entre duas chanas podres, um quartel, quimbos chefiados por sobas que o Governo Português obrigava a fantasias carnavalescas de estrelas e de fitas ridículas, o posto da PIDE, a administração, o café do Mete Lenha e a aldeia dos leprosos; uma vez por semana eu sacudia o badalo do sino de capela pendurado no meio de um círculo de cubatas aparentemente desertas, no silêncio carregado de ruído que a África tem quando se cala, e dezenas de larvas informes principiavam a surgir, manquejando, arrastando-se, trotando, dos arbustos, das árvores, das palhotas, larvas de Bosch de todas as idades em cujos ombros se agitavam, como penas, franjas de farrapos, avançando para mim à maneira dos sapos monstruosos dos pesadelos das crianças, a estenderem os cotos ulcerados para os frascos do remédio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro, ainda mais cruel:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No edifício sinistro do hospital civil, idêntico a uma pensão de província moribunda de paredes empoladas por furúnculos de humidade, os doentes de paludismo estremeciam de febre nos degraus da entrada, no corredor, na sala de consulta, no cubículo destinado às injeções, à espera das ampolas de quinino na tranquilidade imemorial dos negros, para quem o tempo, a distância e a vida possuem uma profundeza e um significado impossíveis de explicar a quem nasceu entre túmulos de infantas e despertadores de folha, aguilhoado por datas de batalhas, mosteiros e relógios de ponto. Diante da minha secretária, espessa como um &lt;em&gt;bunker, &lt;/em&gt;à qual instalava a minha ciência de manual, a miséria e a fome desfilavam manhã fora na serenidade monótona da chuva de Setembro, e a única resposta que a minha impotência me permitia eram as pastilhas de vitaminas da tropa adoçadas por um sorriso de desculpa e de vergonha. Impedidos de pescar e de caçar, sem lavras, prisioneiros do arame farpado e das esmolas de peixe seco da administração, espiados pela PIDE, tiranizados pelos cipaios, os luchazes fugiam para a a mata, onde o MPLA, inimigo invisível, se escondia, obrigando-nos a uma alucinante guerra de fantasmas. A cada ferido de emboscada ou de mina a mesma pergunta aflita me ocorria, a mim, filho da Mocidade Portuguesa, das &lt;em&gt;Novidades&lt;/em&gt; e do &lt;em&gt;Debate&lt;/em&gt;, sobrinho de catequistas e íntimo da Sagrada Família que nos visitava a domicílio numa redoma de vidro, empurrado para aquele espanto de pólvora numa imensa surpresa: são os guerrilheiros ou Lisboa que nos assassinam, Lisboa, os Americanos, os Russos, os Chineses, o caralho da puta que os pariu combinados para nos foderem os cornos em nome de interesses que me escapam, quem me enfiou sem aviso neste cu de Judas de pó vermelho e de areia, a jogar as damas com o capitão idoso saído de sargento que cheirava a menopausa de escriturário resignado e sofria do azedume crónico da colite, quem me decifra o absurdo disto, as cartas que recebo e me falam de um mundo que a lonjura tornou estrangeiro e irreal, os calendários que risco cruzes a contar os dias que me separam do regresso e apenas achando à minha frente um túnel infindável de meses onde me precipito mugindo, boi ferido que não entende, que não logra entender e acaba por enterrar o triste focinho molhado nos ossos de frango com espaguete do rancho, do mesmo modo, percebe, que aqui, na sua companhia, me sinto cavalo de narinas enfiadas na alcofa de &lt;em&gt;vodka&lt;/em&gt;, mastigando o feno azedo do limão." &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33921619-115749855257334103?l=alvilendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alvilendo.blogspot.com/feeds/115749855257334103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33921619&amp;postID=115749855257334103' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33921619/posts/default/115749855257334103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33921619/posts/default/115749855257334103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alvilendo.blogspot.com/2006/09/angola-literria.html' title='Angola literária'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_Y5BY3KoPouw/SULioeLmraI/AAAAAAAAAA8/-1M_NYcTh2U/S220/02+-+Fevereiro+-+Uni%C3%A3o.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
